Saudade do Meu Jardim…
 

Iara Melo
 
 
 
 

Sinto o peito
Arfando, doendo, maltratando,
Instigando…
Angústia desvairada adentra
Peito afora
Sem piedade, sem dó de mim.
 

Saudade é o teu nome!
Das terras distantes,
Berço dos meus encantos
Da relva que amacia-me
Âmago.
 

Saudade do cheiro da terra,
Do mar morno,
Das cachoeiras caudalosas
Das noites cintilantes,
Das madrugadas afora...
Do verão sempiterno,
Do agreste dos meus dias...
 

Lembranças desordenadas
Invadem, contaminam, contagiam
Olhos padecem
Escorrem-lhe lágrimas
Sem freios,
desmesuradas.
Sinto o acabar das forças
Agonizando pensamentos.
 

Indago imersa em sofrimento:
O que fazer sem mais
o afago materno...
Distante do manso falar paterno,
Das margaridas floridas
Do meu jardim?


No jardim vazio
De minha alma
Esperança reacende,
renasce,
Confiança de um dia
Rever-te, voltar-te
Sorrir-te
Saudade peço-te:
Devolve-me ao meu jardim.
 
 
 
 

 
 
 

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